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Dicas para Leitura

JANEIRO/2017

O cordel surgiu no Brasil na segunda metade do século XIX com folhetos, que vendidos nas feiras, abordavam aventuras de cavalaria, narrativas de amor e sofrimento, histórias de animais, peripécias de heróis, contos maravilhosos, entre outros. O poeta nordestino incorporou o seu próprio ambiente social, tratando das façanhas de cangaceiros, acontecimentos políticos, catástrofes, milagres e propagandas religiosas e comerciais. Antônio Ferreira da Cruz, nasceu em Ingá (PB) em 1876, foi operário numa fábrica de tecidos, e aos 30 anos se tornou cantador e poeta, inspirando vários outros que compuseram de memória, muitas cantorias, desafios e pelejas envolvendo suas apresentações. Autor de inúmeros folhetos, destacou-se como glosador em decassílabos. Fez parte dos poetas da primeira geração, aos quais coube, além da constituição do público e das formas de produção e distribuição da literatura de cordel, o papel de definir as regras do gênero, seus estilos e temas. Foi a condição de oralidade, feita para ser memorizada, cantada e fruída coletivamente, que permitiu ao cordel alcançar um público cada vez mais amplo.

ADMINISTRAÇÃO

Gestão Pública

TOYOTA, Joice. Joice Toyota quer melhorar a gestão pública no Brasil. Problemas Brasileiros, São Paulo, n. 436, p. 18-23, out./nov. 2016. Entrevista concedida a Humberto Dantas. Disponível em: <http://www.fecomercio.com.br/upload/file/2016/09/27/pb_436_tela_final_1.pdf>

Entrevista com Joice Toyota, engenheira de formação, com mestrado em Educação, MBA em Gestão e cofundadora e diretora-executiva do Vetor Brasil, entidade que seleciona jovens formados nas melhores universidades nacionais para um programa de trainee em gestão pública. Apresenta o funcionamento do programa Vetor Brasil e sustenta que a melhoria na gestão pública pode mudar o país.

ECOLOGIA/MEIO AMBIENTE

Desenvolvimento Sustentável

ZIERVOGEL, Gina; VAN GARDEREN, Emma Archer; PRICE, Penny. Strengthening the knowledge-policy interface through co-production of a climate adaptation plan: leveraging opportunities in Bergrivier Municipality, South Africa. Environment & Urbanization, London, v. 28, n. 2, p. 455-474, out. 2016. Disponível em: <http://journals.sagepub.com/doi/pdf/10.1177/0956247816647340>

Apesar do crescimento dos planos de adaptação e da ação por parte dos municípios, existem poucos exemplos de oportunidades efetivas de incorporar a adaptação climática às políticas e práticas de governos locais. O artigo aborda a experiência de coproduzir um plano de adaptação na Província do Cabo Ocidental, na África do Sul. Os resultados sugerem uma mudança da interface ciência-política para a interface conhecimento-política, pois além dos princípios científicos de mudanças climáticas, o contexto local deve ser levado em conta. Para alinhar os planos de adaptação com as prioridades de desenvolvimento e assegurar o apoio de múltiplos atores, a integração de conhecimento deve ser priorizada, bem como a coprodução.

 

Gestão Ambiental

FERNANDES, Leonardo Silva; BOTELHO, Rosangela Garrido Machado. Proposta metodológica de priorização de municípios para implantação de programas de pagamento por serviços ambientais (PSA). Ambiente & Sociedade, São Paulo, v. 19, n. 4, p. 85-104, out./dez. 2016. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/asoc/v19n4/pt_1809-4422-asoc-19-04-00101.pdf>

O trabalho apresenta uma proposta metodológica de priorização de municípios do Rio de Janeiro para implantação de programas de Pagamento por Serviços Ambientais (PSA). Foram selecionadas variáveis da Pesquisa de Informações Básicas Municipais (Munic) do IBGE, nos temas: Impactos Ambientais, Aparato Institucional e Ações Ambientais. Foi calculado um índice para cada tema, sintetizados em um índice final. No geral, os municípios apresentaram degradação dos recursos hídricos, aparato institucional precário e desarticulação entre as ações, seus impactos ambientais e sua estrutura institucional. Os resultados sugerem que arranjos de PSA devem considerar pagamentos efetuados pelo poder público, e que os municípios ampliem sua capacidade institucional. A metodologia empregada mostrou-se útil, de fácil aplicação e com o benefício de poder ser replicada para todo o Brasil e atualizada a cada edição da Munic.

 

RYAN, Daniel. The design of climate institutions: contributions for the analysis. Ambiente & Sociedade, São Paulo, v. 19, n. 4, p. 211-222, out./dez. 2016. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/asoc/v19n4/es_1809-4422-asoc-19-04-00249.pdf>

O artigo explora o desenvolvimento de instituições governamentais encarregadas da agenda climática no contexto da América Latina. São identificados alguns desafios políticos fundamentais que as instituições enfrentam. Aborda os diferentes tipos de desenho institucional para lidar com os desafios e as vantagens e limitações de cada uma dessas respostas.

 

Impacto Ambiental

BERTUCCI, Thayse Cristina Pereira et al. Turismo e urbanização: os problemas ambientais da Lagoa de Araruama - Rio de Janeiro. Ambiente & Sociedade, São Paulo, v. 19, n. 4, p. 43-64, out./dez. 2016. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/asoc/v19n4/pt_1809-4422-asoc-19-04-00059.pdf>

A Lagoa de Araruama (Rio de Janeiro) é conhecida por sua beleza cênica e recursos naturais, fatores que permitiram a expansão econômica da região. A atividade turística e a especulação imobiliária foram determinantes para o desenvolvimento urbano dos municípios adjacentes nas últimas décadas. Por meio do referencial teórico da Ecologia Política e da Educação Ambiental Crítica, o artigo avaliou a relação entre o desenvolvimento das cidades às margens da Lagoa e o seu impacto sobre a qualidade ambiental deste ecossistema. A evolução dos parâmetros estudados demonstrou que o desequilíbrio do desenvolvimento sustentável na região prejudicou a saúde do corpo hídrico. A elevada taxa de introdução artificial de água doce e de efluentes domésticos e industriais, sem o tratamento adequado, sobrecarregou o sistema prejudicando toda a economia adjacente.

 

Planejamento Ambiental

TREVISAN, Alexandre Bach; FURUYA, Ricardo Kazuo; SANTOS, Vanessa dos. Prior environmental characterization strategies for outfall systems. Revista DAE, São Paulo, n. 204, p. 94-102, out. 2016. Disponível em: <http://revistadae.com.br/site/artigos/204>

Em Florianópolis, seis estações de tratamento recebem 50% do esgoto da cidade para tratamento e disposição final em áreas consideradas frágeis, tais como pequenos rios, manguezais e locais abrigados próximos à costa. Para melhorar a situação dois emissários submarinos estão sendo planejados. Diversos aspectos precisam ser estudados devido às controvérsias entre os atores políticos, técnicos e sociais e conhecimentos específicos sobre a oceanografia e ambiente local são fundamentais. O artigo apresenta as estratégias utilizadas para a caracterização prévia do ambiente para dar suporte à definição das alternativas técnicas e locacionais destes emissários.

 

MOURA, Adriana Maria Magalhães de; ROMA, Júlio Cesar; SACCARO JÚNIOR, Nilo Luiz. Problemas econômicos, soluções ambientais. Boletim Regional, Urbano e Ambiental, Brasília, n. 15, p. 33-43, jul./dez. 2016. Disponível em: <http://www.ipea.gov.br/portal/index.php?option=com_content&view=article&id=28494&Itemid=7>

O ensaio discute sobre como manter uma gestão adequada dos recursos naturais do país e quais as estratégias possíveis para se avançar na agenda ambiental, com a geração de incentivos econômicos que garantam a conservação e o uso sustentável do meio ambiente.

ECONOMIA

Mercado de Trabalho (Formal e Informal)

ROEVER, Sally; SKINNER, Caroline. Street vendors and cities. Environment & Urbanization, London, v. 28, n. 2, p. 359-374, out. 2016. Disponível em: <http://journals.sagepub.com/doi/pdf/10.1177/0956247816653898>

O artigo sintetiza pesquisa recente sobre políticas urbanas e práticas de governos locais em relação às vendas ambulantes, uma das atividades mais visíveis da economia informal. Apresenta as estatísticas do setor, a literatura de referência e a atuação da mídia. Por meio de métodos e pesquisas participativas examina os desafios do dia a dia dos vendedores ambulantes, mesmos os licenciados, discute os impactos da insegurança dos locais de trabalho e do confisco de mercadorias. Analisa brevemente os casos de Ahmedabad, India e Lima, Peru, onde a ação coletiva dos vendedores resultou em políticas inovadoras. Por fim, defende a necessidade de uma reforma legislativa, maior transparência na implementação de normas e vontade política que desafie a apropriação do espaço público pelos interesses de poder.

 

DIAS, Sonia Maria. Waste pickers and cities. Environment & Urbanization, London, v. 28, n. 2, p. 375-390, out. 2016. Disponível em: <http://journals.sagepub.com/doi/pdf/10.1177/0956247816657302>

Desde a última recessão econômica global, o número de catadores aumentou e adquiriram importância na contribuição ao desenvolvimento e à sustentabilidade urbana. O artigo analisa o tema em Belo Horizonte, Bogotá e Pune, e discute a contribuição ambiental e econômica dos catadores. Defende uma reconceituação dos sistemas de gestão de resíduos sólidos que os incorpore ativamente e apresenta um modelo no qual os catadores são reconhecidos como colaboradores, exemplo de práticas atuais integradas e inclusivas.

 

CHEN, Martha A. Technology, informal workers and cities: insights from Ahmedabad (India), Durban (South Africa) and Lima (Peru). Environment & Urbanization, London, v. 28, n. 2, p. 405-422, out. 2016. Disponível em: <http://journals.sagepub.com/doi/pdf/10.1177/0956247816655986>

A tecnologia é um motor chave de mudança, não menos importante no mundo do trabalho. No entanto, pouco se sabe sobre quais tecnologias são usadas ou influenciam o trabalho da economia informal. O artigo apresenta os resultados de estudo realizado em 2015 pela rede WIEGO e parceiros locais em Ahmedabad, Durban e Lima. Revelam que os trabalhadores informais estão usando diversos equipamentos para fortalecer seus meios de subsistência. Em geral, são ferramentas básicas, muitas vezes adaptadas engenhosamente. A aceitação de equipamentos mais sofisticados é limitada pelos baixos rendimentos e receios com roubos e confisco, além de ser afetada pelos sistemas de energia, transporte e lixo específicos de cada cidade. O artigo resume quais tipos de tecnologias são mais úteis para diferentes setores. Argumenta que o ambiente político e regulatório e os sistemas tecnológicos da cidade devem ser mais sensíveis às necessidades da força de trabalho informal urbana.

 

BANKS, Nicola. Youth poverty, employment and livelihoods: social and economic implications of living with insecurity in Arusha, Tanzania. Environment & Urbanization, London, v. 28, n. 2, p. 437-454, out. 2016. Disponível em: <http://journals.sagepub.com/doi/pdf/10.1177/0956247816651201>

A crise de emprego dos jovens nas cidades da África subsaariana está entre as principais prioridades de desenvolvimento da região. O artigo explora a situação em Arusha, Tanzânia. Busca entender como as estruturas e processos locais e globais criam o ambiente econômico e social hostil em que a juventude urbana busca meios de subsistência; procura identificar a multiplicidade de obstáculos enfrentados, e como estes diferem por gênero e escolaridade e as implicações para seu desenvolvimento social e econômico de longo prazo.

HABITAÇÃO/ASSENTAMENTO HUMANO

Habitação Subnormal

 

PATEL, Sheela; BARTLETT, Sheridan. “We beat the path by walking” Part II: three construction projects that advanced the learning and credibility of the India Alliance. Environment & Urbanization, London, v. 28, n. 2, p. 495-514, out. 2016. Disponível em: <http://journals.sagepub.com/doi/pdf/10.1177/0956247816644399>

O artigo continua a história da Aliança Indiana, que projetou e construiu habitação com comunidades urbanas pobres de 1986 a 1995. Concentra-se em três casos em Mumbai, onde comunidades de moradias precárias desenvolveram alternativas ao reassentamento. As soluções habitacionais foram produto da negociação com as autoridades locais e da colaboração com a Aliança. O artigo documenta a aprendizagem coletiva com os aspectos práticos da construção, financiamento e relações com os governos locais. Essas ações fornecem valiosas lições ao novo Objetivo de Desenvolvimento Sustentável urbano.

MEIO FÍSICO

Desastres Naturais

BANDEIRA, Ana Patrícia Nunes; NUNES, Paula Hemília de Souza; LIMA, Maria Gorethe de Sousa. Gerenciamento de riscos ambientais em municípios da Região Metropolitana do Cariri (Ceará). Ambiente & Sociedade, São Paulo, v. 19, n. 4, p. 65-84, out./dez. 2016. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/asoc/v19n4/pt_1809-4422-asoc-19-04-00081.pdf>

As áreas de riscos de deslizamentos de encostas e de inundações estão presentes nas várias cidades do mundo, provocando diversas mortes e problemas de saúde às comunidades. O objetivo principal deste trabalho é apresentar a situação da Região Metropolitana do Cariri, interior do Ceará, e propor ações de gerenciamento de áreas de risco, a fim de contribuir com a minimização dos desastres naturais. Por meio de atividades realizadas nas encostas ocupadas e do contato com as defesas civis, identificaram-se os principais problemas conclui-se que as ações de gerenciamento dos desastres ainda são incipientes. O trabalho apresenta também contribuições para os gestores públicos, gerando subsídio para a preservação do meio ambiente e para a melhoria da qualidade de vida da população.

POLÍTICA

Gestão Municipal

SÃO PAULO (Cidade). Câmara Municipal. SP 2030. São Paulo: CMSP, 2016. 107 p. Disponível em: <http://www.camara.sp.gov.br/escoladoparlamento/wp-content/uploads/sites/5/2016/06/Relatorio-SP2030.pdf>

O livro apresenta o resultado do conteúdo do “Ciclo de Debates SP2030”, evento que propiciou o debate aprofundado sobre os problemas da cidade e os meios para resolvê-los. O ciclo de debates suscita também uma reflexão sobre o futuro de São Paulo, um olhar estratégico sobre pontos fundamentais tais como, moradia, saúde, educação, mobilidade urbana, inovação, desigualdade social, sustentabilidade e governança metropolitana.

RECURSOS ENERGÉTICOS

Matriz Energética

CARVALHO, Cristina Ribeiro de. Matriz de energia elétrica diversificada: desafio para o Brasil. Problemas Brasileiros, São Paulo, n. 437, p. 12-15, dez./jan. 2017. Sustentabilidade. Disponível em: <http://www.fecomercio.com.br/upload/file/2016/12/02/pb_437_dupla.pdf>

A matéria faz um panorama das diferentes fontes de energia no Brasil, como a hidrelétrica, eólica, solar, gás natural e biomassa. Aborda as estatísticas de alguns setores e funcionamento dos contratos por meio de leilões. Reforça a relação entre matriz energética e situação econômica, conforme esta melhora há mais espaço para fontes renováveis.

RECURSOS HÍDRICOS

Gestão

PIRES DO RIO, Gisela Aquino; DRUMMOND, Helena Ribeiro; RIBEIRO, Christian Ricardo. Água: urgência de uma agenda territorial. Ambiente & Sociedade, São Paulo, v. 19, n. 4, p. 105-120, out./dez. 2016. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/asoc/v19n4/pt_1809-4422-asoc-19-04-00121.pdf>

O artigo discute a crise de abastecimento de água e o consequente risco de racionamento em escala regional no Sudeste brasileiro (2014/15). Considerando a extensão, magnitude e intensidade dessa crise, em particular nas áreas metropolitanas paulistas, e ao longo da bacia do rio Paraíba do Sul, argumenta-se que novas espacialidades estão emergindo e impondo ajustes à gestão de águas que, no entendimento do trabalho, é questão de natureza geoinstitucional. Não é possível compreender a crise e as medidas emergenciais consideradas como exclusivamente relativas ao controle e redução de vazão. Desse entendimento decorre a urgência da agenda territorial, que considere as relações entre os diferentes espaços, os diversos agentes e a própria história ambiental da bacia do rio Paraíba do Sul.

RECURSOS HUMANOS

Trabalho

CHEN, Martha A.; SINHA, Shalini. Home-based workers and cities. Environment & Urbanization, London, v. 28, n. 2, p. 343-358, out. 2016. Disponível em: <http://journals.sagepub.com/doi/pdf/10.1177/0956247816649865>

O artigo explora o impacto de políticas locais e planos urbanos sobre os trabalhadores que atuam de casa. Apresenta as estatísticas recentes sobre o tamanho e composição do home office em países em desenvolvimento e estudos de caso em países asiáticos. Argumenta que autoridades municipais e planejadores urbanos devem levar em conta essa atividade nos planos de desenvolvimento econômico, além de servir de infraestrutura e transporte esses locais de moradia e trabalho.

REGIÕES/REGIONALIZAÇÃO/METROPOLIZAÇÃO

Desenvolvimento Regional

LI, Bingqin; CHEN, Chunlai; HU, Biliang. Governing urbanization and the New Urbanization Plan in China. Environment & Urbanization, London, v. 28, n. 2, p. 515-534, out. 2016. Disponível em: <http://journals.sagepub.com/doi/pdf/10.1177/0956247816647345>

O artigo explica as razões por trás da crescente tensão social e aumento do número de conflitos na China após um bom desempenho no cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio. Mapeia os temas trabalhados em processos anteriores de urbanização (1978-2014) e os problemas que não foram resolvidos, e analisa se as mudanças de política introduzidas no Novo Plano de Urbanização (2014-2020) podem ajudar a enfrentá-los. Argumenta que as tensões que se transformam em conflitos são muitas vezes resultado da ansiedade social não enfrentada. Defende a necessidade de investimentos em governança inter-regional, melhoria na transparência de políticas e integração de estruturas de governança das comunidades rural e urbana.

 

MAGALHÃES, João Carlos Ramos. Observações sobre a Política Nacional de Desenvolvimento Regional (PNDR) a partir de análise quantitativa. Boletim Regional, Urbano e Ambiental, Brasília, n. 15, p. 19-24, jul./dez. 2016. Disponível em: <http://www.ipea.gov.br/portal/index.php?option=com_content&view=article&id=28494&Itemid=7>

O ensaio avalia o processo de desenvolvimento regional e a influência da Política Nacional de Desenvolvimento Regional (PNDR) em dezoito municípios localizados nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste do país. Foram analisadas as entrevistas a atores locais-chave, em especial os secretários municipais, que foram realizadas pelo Ipea em parceria com o Ministério da Integração Nacional (MI). Foi formulado um questionário para abordar aspectos que afetam a dinâmica regional brasileira e para avaliar se os objetivos da PNDR têm sido atingidos. Aborda os desafios do governo federal na alocação de recursos para territórios mais necessitados.

 

Planejamento Regional

GOMIDE, Alexandre de Ávila et al. Condicionantes institucionais à execução do investimento em infraestrutura: achados e recomendações: Relatório de Pesquisa. Brasília: Ipea, 2016. 36 p. Disponível em: <http://www.ipea.gov.br/portal/index.php?option=com_content&view=article&id=29156&Itemid=6>

O texto integra o conjunto de produtos da pesquisa Condicionantes institucionais à execução do investimento em infraestrutura, desenvolvida pelo Ipea com a colaboração de pesquisadores de diversas universidades brasileiras. Apesar da taxa de investimento em infraestrutura ter se elevado de 2000 para 2010, muito em função da disponibilidade de recursos fiscais e dos esforços do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), diversos estudos apontaram as dificuldades na execução desses investimentos. Deste modo, a pesquisa investigou fatores que impactam no cronograma e no orçamento da execução de grandes obras, entre eles: a qualidade dos projetos de engenharia, a coordenação governamental, o licenciamento ambiental, a atuação dos órgãos de controle e a participação da sociedade civil. Baseou-se no estudo de projetos que compõem a carteira do PAC de diferentes eixos de investimento e implementados por diversas modalidades. Paralelamente, foi aplicado um questionário para mais de 2 mil servidores federais do setor de infraestrutura visando identificar o perfil desses funcionários e os principais constrangimentos para a sua atuação efetiva. Acredita-se que os resultados possam contribuir para o entendimento da atuação do Estado brasileiro e para a melhoria dos processos de planejamento e da gestão desses investimentos.

SANEAMENTO AMBIENTAL

Abastecimento, Adução e Tratamento da Água

CASTRO, José Esteban. O acesso universal à água é uma questão de democracia. Boletim Regional, Urbano e Ambiental, Brasília, n. 15, p. 59-65, jul./dez. 2016. Disponível em: <http://www.ipea.gov.br/portal/index.php?option=com_content&view=article&id=28494&Itemid=7>

O estudo analisa os dados do relatório das Nações Unidas sobre os progressos para o alcance dos objetivos de desenvolvimento do milênio (2014) e trata dos desafios que precisam ser enfrentados para que as atuais democracias concretizem o acesso à água potável e ao esgotamento sanitário como um direito humano.

 

Esgotamento Sanitário

REVISTA DAE. São Paulo, n. 204, out. 2016. Disponível em: <http://revistadae.com.br/site/artigos/204>

A Secretaria de Saneamento e Recursos Hídricos do Estado de São Paulo, em parceria com a Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, Prefeitura Municipal de Santos e Agência Metropolitana da Baixada Santista, promoveram no Município de Santos, em novembro de 2016, o Seminário Internacional Qualidade das Águas Costeiras. Esta edição especial da revista DAE contém os principais artigos técnicos apresentados no evento que visou produzir conhecimento que embase a formulação de políticas públicas que respondam às necessidades de desenvolvimento econômico, social e ambiental da região costeira do Estado de São Paulo.

 

ORTIZ, Jayme Pinto; YANES, Jacqueline Pedrera; BRAULIO NETO, Antonio. Wastewater Marine Disposal through Outfalls on the coast of São Paulo State – Brazil: An overview. Revista DAE, São Paulo, n. 204, p. 29-46, out. 2016. Disponível em: <http://revistadae.com.br/site/artigos/204>

De acordo com o Relatório de balneabilidade de 2011, a taxa de coleta de águas residuais no litoral de São Paulo só atinge em média 56%. Nos últimos anos, os investimentos do governo de São Paulo e do Banco do Japão têm permitido uma melhora significativa na coleta e no tratamento dessas águas. No entanto, é necessário melhorar as alternativas técnicas, com uma mais ampla visão do problema. O objetivo desse trabalho é apresentar uma visão geral de disposição de esgoto através de emissários submarinos na costa do estado de São Paulo, bem como, discutir novas alternativas, para ajudar as escolhas dos tomadores de decisão, levando em consideração as soluções técnicas, a análise de custo-benefício, o impacto ambiental e da legislação vigente, procurando maximizar o desenvolvimento sustentável na região.

 

BAPTISTELLI, Silene Cristina; MARCELINO, Edward Brambilla. Seawater Monitoring under the Influence of SABESP Sea Outfalls in Baixada Santista (South Coast) and North Coast - São Paulo State - Brazil. Revista DAE, São Paulo, n. 204, p. 47-56, out. 2016. Disponível em: <http://revistadae.com.br/site/artigos/204>

Os monitoramentos têm sido essenciais para avaliar as condições ambientais dos corpos d’água receptores e para mensurar a pluma de dispersão antes e durante a operação dos emissários submarinos. A SABESP tem utilizado os dados para a tomada de decisão e para dar confiabilidade nos diagnósticos e prognósticos dos impactos ambientais. Este artigo apresenta a compilação dos principais programas de monitoramento que a SABESP utiliza desde 2005 na região costeira do Estado de São Paulo. Apresenta os principais resultados desses monitoramentos, e discute os impactos ambientais que os emissários submarinos têm causado na região. Em resumo, a influência das descargas está limitada à zona de mistura, próxima ao trecho difusor destes emissários.

 

JORDÃO, Eduardo Pacheco; ROSMAN, Paulo Cesar Colonna. Submarine Outfalls are an Effective Solution for the Disposal of Properly Treated Sewage of Coastal Cities. Revista DAE, São Paulo, n. 204, p. 57-63, out. 2016. Disponível em: <http://revistadae.com.br/site/artigos/204>

Muitas cidades litorâneas no mundo têm adotado emissários submarinos como solução para a destinação final de seus esgotos sanitários. No Brasil, com mais de 7500 km de costa, ou bem mais se incluídos os perímetros de baías, esta solução tem-se mostrado segura e econômica para manter a qualidade das águas costeiras de acordo com os padrões de qualidade. O artigo aborda aspectos como padrões de balneabilidade e legislação, e comenta sobre os principais emissários no Brasil, pré-tratamentos recomendados, e tendências em projeto de emissários.

 

SAMPAIO, Alexandra Franciscatto Penteado et al. Sanitation and microbiological water quality in the watershed of Santos - São Vicente Estuary. Revista DAE, São Paulo, n. 204, p. 64-72, out. 2016. Disponível em: <http://revistadae.com.br/site/artigos/204>

O estudo avaliou a evolução do atendimento sanitário e a qualidade da água na bacia hidrográfica do Estuário de Santos e São Vicente a partir de 2004. Resultados mostram evolução no atendimento à população após a conclusão da primeira fase do Programa Onda Limpa, com aumento nos índices de esgoto tratado a nível secundário e de pré-condicionamentos seguidos de emissários submarinos, e redução da porcentagem da população sem rede de esgoto (de 40% para 33%). Em cada uma das quatro sub-bacias mais populosas, ainda há ainda cerca de 90 mil pessoas sem rede de esgoto, incluindo áreas urbanizadas e irregulares. Este fator, aliado a elevada pluviosidade anual ainda prejudica a qualidade das águas na região.

TECNOLOGIA/CIÊNCIAS

Parques Tecnológicos

DIAS, Raíza. Berços de inovação. Problemas Brasileiros, São Paulo, n. 436, p. 12-15, out./nov. 2016. Inovação. Disponível em: <http://www.fecomercio.com.br/upload/file/2016/09/27/pb_436_tela_final_1.pdf>

O Brasil coleciona pouco menos de cem parques tecnológicos que, apesar de distantes da realidade internacional, caminham para tirar os atrasos de pesquisa e desenvolvimento do País. Com os pés fincados em tecnologia da informação, esses ecossistemas de inovação despontam também em produção aeroespacial, saúde, economia criativa e eletrônica. O texto traça um breve panorama dos parques tecnológicos no Brasil, com exemplos de oportunidades de negócios e pesquisas como o Porto Digital em Recife e o Parque Tecnológico de São José dos Campos.

URBANISMO

Urbanização

FANG, Yiping; PAL, Anirban. Drivers of urban sprawl in urbanizing China – a political ecology analysis. Environment & Urbanization, London, v. 28, n. 2, p. 599-616, out. 2016. Disponível em: <http://journals.sagepub.com/doi/pdf/10.1177/0956247816647344>

As cidades chinesas passaram por um processo de urbanização que resultou em significativa expansão urbana nos últimos 20 anos. O artigo utiliza o quadro da "ecologia de atores" para analisar as interações entre os agentes estaduais, de mercado e da sociedade civil que resultaram em uma conversão excessiva da terra de uso agrícola para uso urbano. Mostra que, na estrutura institucional existente, os interesses se voltam para continuidade do crescimento e urbanização, implicando mais receita para o governo local, mais lucro para investidores e mais oportunidades para agricultores. Os planejadores urbanos não têm sido capazes de aplicar os princípios de longo prazo. É necessário alterar as regras do jogo para que os impactos ambientais da mudança do uso da terra sejam levados em conta nos cálculos econômicos futuros dos atores envolvidos no processo.

 

Plano Municipal de Desenvolvimento

CONSORCIO INTERMUNICIPAL GRANDE ABC. Juntos pelo Grande ABC: construindo o desenvolvimento regional. Santo André: Consórcio Intermunicipal Grande ABC, dez. 2016. 70 p. Disponível em:

<http://www.consorcioabc.sp.gov.br/imagens/noticia/CI_0015_16_Consorcio_Revista_23x23cm_alt11_view_Vers%C3%A3o%20final.pdf>

A publicação trata do desenvolvimento no Grande ABC por meio de um panorama da atuação do Consórcio Intermunicipal.  Apresenta os projetos em desenvolvimento nas áreas de mobilidade, drenagem urbana, resíduos sólidos, riscos urbanos e ambientais, habitação, saúde e segurança, fornecendo estatísticas, mapas e índices de desenvolvimento de cada uma das cidades. Argumenta que o planejamento regional integrado, o fortalecimento institucional e das capacidades de execução de programas pela entidade, coordenando e articulando as ações dos sete municípios, devem ser o caminho trilhado ao longo do período 2017/2021.